segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Estudo de Caso: conheça a história empreendedora da Airbnb

Você conhece o Airbnb? Sabe o que essa startup faz? Bom, se você tem curiosidade em saber e gosta de aprender, vem comigo! =)






Uma ressalva antes de iniciarmos esta conversa: você sabia que nas Universidades americanas, como Harvard, por exemplo, o estudo através de casos é muito usado? Pois é, principalmente em cursos de mestrado ou doutorado, os famosos PhD.


O motivo é meio óbvio: aprendemos muito estudando exemplos dos outros, além disso, nos faz perceber que toda grande história empreendedora é repleta de obstáculos, que ninguém acerta sempre, até mesmo os grandes como Steve Jobs ou Mark Zuckerberg. Dado o recado, vamos lá!




O Airbnb hoje é a maior startup do segmento economia compartilhada  do mundo.
Ele é a maior plataforma de oferta de hospedagem que existe e conseguiu esse feito em apenas quatro anos de existência. Hoje atua em mais de 34 mil cidades, em 190 países.


Seu valor atual de mercado é de exatos 25,5 bilhões de dólares, isso mesmo! Basicamente é um site onde você pode ofertar "qualquer canto" que tenha sobrando como hospedagem e esse “simples negócio” vale tudo isso.


Mas, por que economia compartilhada?  Como funciona este conceito?




Funciona assim: “ocorre quando o consumidor paga pelo benefício do produto e não pelo produto em si. Tem como base o princípio de que aquilo que precisamos não é um CD e sim a música que toca nele, o que precisamos é um buraco na parede e não uma furadeira, e se aplica a praticamente a qualquer bem.” No caso do Airbnb acontece que, qualquer pessoa pode ofertar algum lugar para hospedagem. Um quarto da casa, alguma casa que tenha e esteja vaga, pousada, hotéis etc. Ou seja, ofertando o espaço que está vago para alguém que precisa se hospedar.


Essa é a grande sacada: a Airbnb não possui nenhum hotel, pousada ou espaço próprio, qualquer pessoa de qualquer canto do mundo (como eu ou você) pode oferecer algum espaço.




Mas esses são os locais de hospedagem comuns. A diversidade existente hoje na plataforma é tão grande que você pode, por exemplo, querer ir passar umas férias na Itália e ficar hospedado em um castelo ou em uma casa na árvore, ou pode ainda ir para a Holanda e ficar em uma Suíte-Avião ou ir para a Eslovênia e ficar em um Iglu.


Sim, acredite! Tudo isso é real, tudo isso é possível na Airbnb!


Mas, como disse no início, o legal de se estudar histórias empreendedoras é ver que nem tudo são flores, pelo menos não o tempo todo. No caso da Airbnb, a dificuldade já aconteceu logo no início. A empresa foi criada porque seus fundadores estavam em uma situação de "pindaíba".


Brian Chesky e Joe Gebbia, então, estudantes de design estavam sem dinheiro para pagar o aluguel do apartamento onde moravam. Vale ressaltar aqui, que esses dois já sabiam que queriam ser empreendedores e estavam procurando a "grande ideia".


Criadores da Airbnb (esquerda para a direita): Nathan, Brian e Joe.


Os dois tinham mudado para São Francisco, sem conseguir achar a tal ideia e com a grana acabando, receberam a notícia que o aluguel do apartamento em que estavam ia ter um aumento de 25%, ficaram sem saber o que fazer, pois estavam cientes que não teriam esse dinheiro, logo precisariam encontrar um modo de consegui-lo.


Aconteceu que eles ficaram sabendo que ia ocorrer naquela cidade uma grande conferência para designers e que todos os hotéis da cidade estavam lotados. Não demoraram a perceber que tinham um modo de ganhar dinheiro.


Eles tinham espaço vago no apartamento e haviam pessoas procurando lugar na cidade e não tinha mais. Logo resolveram: vamos alugar o espaço que temos aqui. Compramos colchões infláveis para colocar na sala e fazemos café da manhã.


Tal ideia tão inusitada não poderia ter dado mais certo!


Em apenas uma noite, os dois desenvolveram a primeira versão do site de hospedagens, que neste momento contava com apenas uma opção: a do próprio apartamento deles.


Não demorou nada e eles conseguiram alugar o espaço que tinham junto com os colchões para três pessoas, com perfis completamente opostos ao que eles esperavam receber, sendo: uma mulher de meia idade, um indiano e um pai de família.


Além do espaço e dos colchões eles ofereceram também o café da manhã e daí que vem o nome da startup: Airbnb significa Air, Bed and Breakfast, que em uma tradução literal significa: ar, cama e café da manhã.


Depois deste simples e ingênuo insight ter dado supercerto eles chegaram a conclusão de que esse tipo de serviço de hospedagem é algo muito interessante. A interação com seus hóspedes foi ótima, inclusive ainda hoje eles têm contato com essas pessoas. E o que era uma simples ideia para ajudar a pagar o aluguel do apartamento acabou virando o Airbnb, ou seja, a grande ideia.




A grande ideia acabou gerando muito interesse por parte das pessoas que iam se hospedar no apartamento dos dois, elas sempre perguntavam se poderiam viajar para outras cidades e se hospedar da mesma forma, eles ainda não tinham resposta para tal pergunta, mas trataram de criá-la de maneira rápida.


Joe Gabbian e Brian Chesky queriam melhorar o site e com isso a experiência do usuário, mas sentiam-se incapacitados por serem designers e não conhecerem grandes técnicas do ramo da informática. Foi então que conheceram o Nathan Blecharczyk que era uma pessoa mais técnica e ele se juntou ao time do Airbnb.


Uma coisa que eles logo perceberam é que as pessoas iam a esses lugares onde estavam acontecendo conferências, vendo o potencial, trataram de melhorar o site para oferecer hospedagem em qualquer lugar do mundo e também realizar pagamento online.


Os três, na tentativa de serem mais notados passaram a frequentar eventos que reuniam muitas pessoas, mas o sucesso não veio da forma como eles esperavam. Foram apresentados a 20 investidores e somente 10 retornaram os e-mails deles, e no fim, ninguém quis investir e quando viram estavam novamente sem dinheiro.


Como acreditavam muito na ideia de negócio do Airbnb, resolveram encontrar outra forma de fazer uma renda extra, começaram então a fabricar cereais matinais em casa. Eles fizeram tanto sucesso com esse novo pequeno negócio que conseguiram arrecadar o suficiente para financiar o Airbnb.


Na foto Joe Gabbian, eram os famosos cereais que tinham estampado na embalagem a imagem dos candidatos à presidência dos EUA.


No caminho, eles conheceram um investidor que ajudou a perceberem uma coisa superimportante: o negócio que eles tinham era movido por pessoas e não por um sistema. Com essa percepção, resolveram viajar para Nova York e ouvir as pessoas, conhecer pessoalmente aqueles que usavam o site.




As pessoas então relatavam os problemas que encontravam no site e os três logo trabalhavam para resolver. Isso começou a dar resultado, pois logo os acessos começaram a aumentar. Eles então foram viajando para outras cidades e fazendo o mesmo procedimento.


Ouvimos o que os usuários tinham a dizer e resolvemos os seus problemas.”


O site não conta com um perfil de público definido, os anúncios podem ser feitos por qualquer pessoa e de forma gratuita. Todo os procedimentos de reserva de estadia, troca de mensagens, pagamentos, acontecem dentro da própria plataforma.


Mesmo sem um feature no site as pessoas começaram a anunciar carros, vagas de garagem, barcos e aviões. Hoje em dia já é possível encontrar até aluguel de celular. Ou seja, você viaja para o exterior, fica hospedado na casa de alguém e pode ainda alugar um celular, tudo pelo Airbnb. Com isso você não precisa pagar um pacote de dados internacional para checar seus e-mails durante sua estadia.


Não é demais poder ter todas as suas necessidades atendidas através de uma mesma plataforma?


Uma curiosidade sobre a startup é que um dos seus investidores-anjo foi o ator Ashton Kutcher, que além de investidor é usuário assíduo da plataforma. E até mesmo o então presidente da República dos Estados Unidos, Barack Obama já fez uso do serviço da Airbnb para se hospedar no Havaí durante suas férias.


Brian Chesky e Ashton Kutcher


E em um relato do próprio Joe Gebbia, ele diz: “Nós não imaginávamos que essa ideia se tornaria algo tão grande como é hoje. Acho que um grande diferencial foi ter escutado o que as pessoas tinham para falar e consertado os problemas um a um. Não posso dizer que mudamos o mundo com o Airbnb, mas, com certeza, mudamos a forma como as pessoas têm experiências na vida.”


O Airbnb hoje é a terceira maior startup do mundo!


E o mais legal em poder conhecer tal história é perceber que grandes histórias de sucesso, em quase todas as vezes começam de forma muito simples e pequena. Até mesmo a Apple, Microsoft, Facebook etc, também começaram assim. Quase ninguém consegue enxergar até onde vai uma ideia como essa quando se está começando. A maior virtude é acreditar e não desistir!


Saber que haverá muitos obstáculos e muita gente que não vai acreditar em você também é fundamental, mas é imprescindível superar e seguir. Outro ponto em comum entre grandes negócios é que todos eles surgiram para extinguir alguma necessidade que as pessoas até então tinham.


Então a dica é: olhe ao seu redor, o mundo está cheio de problemas mas ainda há poucas pessoas dispostas a colocar a mão na massa e resolvê-los. O Brasil então nem se fala, as oportunidades aqui são tantas que ainda existem até na área de infraestrutura. Em nações desenvolvidas como os Estados Unidos geralmente, as maiores oportunidades estão na área de tecnologia, aqui não!


Portanto, reclamemos menos e observemos mais. Pode ser que a grande ideia esteja bem próxima e você ainda não viu por estar apenas reclamando do problema em vez de tentar resolver. Lembre-se: algumas nobres soluções hoje em dia podem facilmente lhe render alguns milhões.




Se você gostou de conhecer esta história, aprendeu algo novo, sentiu-se inspirado, motivado, compartilhe ela em suas redes sociais. É a única forma de atingirmos mais pessoas e de repente aquele seu amigo que está desanimado está apenas precisando deste toque! =)


Se você tem alguma sugestão de tema, de história de pessoas ou empresas, ou qualquer outro assunto que você gostaria de conhecer deixa nos comentários. Críticas também são bem-vindas!


Leia também o estudo de caso sobre a Uber, clique aqui! ;)


Por fim, nos siga nas redes sociais para acompanhar as próximas postagens, onde voltarei com a série sobre Educação Financeira.



Até a próxima! =)