segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Ciclo Financeiro: entenda o que é e como usar a seu favor!

Antes de iniciarmos a nossa conversa, um adendo: leia aqui o primeiro artigo dessa séria sobre Finanças Pessoais, onde eu falei sobre a importância da Educação Financeira! =)

Você sabe o que é Ciclo Financeiro tratando de suas Finanças? Sabe qual a melhor maneira de organizá-lo? Se não, venha aprender aqui! =)





Quando falamos de Ciclo Financeiro, visando as Finanças Pessoais, estamos dizendo que em cada fase da nossa vida temos necessidades financeiras diferentes. A capacidade de poupança de cada pessoa se alterna ao longo da vida, assim como seus gastos.


Por exemplo, em algumas fases da vida as despesas podem aumentar bastante, quem tem filho sabe bem. As receitas também variam, uma vez que quando jovens profissionais ainda ganhamos pouco e com o tempo, conforme ganhamos experiência profissional o salário vai aumentando.


Vale ressaltar que não só nossas receitas e despesas, mas a necessidade de poupança que temos também varia ao longo de nossa vida. Dessa forma, alguns períodos da vida são ideais para fazer reserva financeira, já em outros nos vemos obrigados a gastar parte desta reserva para mantermos o padrão de vida, em uma situação de desemprego, por exemplo.


A definição deste assunto é bem básica, então vamos a algumas dicas:


Separe as suas receitas



Inicialmente vale a pena analisar o ciclo das suas receitas, de onde vem o que você recebe? Separe o que são receitas de trabalho, isto é salário, benefícios, bônus, 13° e outras. E separe também aquelas receitas que possam ser provenientes da posse de algum ativo, sejam eles financeiros ou não. Como exemplo podemos citar juros de investimentos, aluguéis, dividendos de aplicações em ações ou qualquer outra receita deste patamar.


Conheça o ciclo das suas receitas



De uma maneira geral, a partir do momento que as pessoas deixam de depender da renda dos pais, a sua principal fonte de ganhos financeiros é o trabalho, por motivos óbvios, isto é, ainda não houve a construção de um patrimônio capaz de gerar renda.


Com o tempo, as pessoas vão adquirindo experiências profissionais e também investindo tempo em seus estudos e isso as leva a ascender profissionalmente, automaticamente, neste processo a renda com o trabalho vai aumentando, até que chegue a aposentadoria, trata-se então de uma curva crescente, de ganhos.


Quando chega o momento da aposentadoria essa curva começa a cair, isso representa o recebimento dos benefícios da aposentadoria.


Não se assuste, isto é normal, acontece com todos e ao longo da vida esta tende a ser uma de nossas maiores preocupações ao poupar. Não deixar que essa curva caia de forma rápida, significa justamente não perder nosso padrão de vida ao nos aposentarmos.


O crescimento de outras receitas (as que não dependem de trabalho), no geral demora um pouco para começar a acontecer. As pessoas começam a acumular patrimônio aos 30 anos, o que obviamente, acaba gerando mais recursos para a aposentadoria.


Observe o gráfico abaixo para compreender melhor:




Nota: é válido lembrar que quando jovens podemos ser mais propensos ao risco, tratando-se investimentos, uma vez que temos maior tempo para recuperar possíveis perdas. Quando se chega a meia-idade é hora de começar a reduzir esse risco e na aposentadoria é recomendado um risco quase nulo, com medidas para proteger o patrimônio acumulado, já que este é momento de usufruir o que foi conquistado ao longo da vida.


Conheça o ciclo das suas despesas





O ciclo das despesas é um pouco, digamos, mais fácil de adivinhar. Nossas despesas tendem a crescer rapidamente a partir dos 25 anos e atinge um patamar ainda mais elevado quando chegamos à meia idade, pois nesta fase além de manter o padrão de vida que já conquistamos, geralmente temos que cuidar da manutenção das despesas com filhos.


Uma queda significativa no ciclo das despesas é observada somente quando os filhos adquirem total independência econômica. Porém, isso não quer dizer que esse ciclo voltará ao patamar do início, uma vez que as pessoas adquirem certo padrão de vida mais elevado e não querem se desfazer dele antes da aposentadoria.


Comparando os dois ciclos: receitas x despesas





A renda que vamos dispor na aposentadoria, vai variar bastante de pessoa para pessoa e um único fator é decisivo nisso: as outras receitas. Elas aparecem como consequência direta da nossa capacidade de poupar ao longo da vida, isto significa que, quem não conseguiu fazer o mínimo de poupança pode estar em situação de complicada nesta fase da vida.


Quem não acumulou patrimônio ao longo da vida, terá poucas receitas extras, geralmente dependerá bastante dos benefícios da aposentadoria para viver. Já quem acumulou patrimônio poderá complementar sua renda mensal com juros, aluguéis, dividendos e outros.


Ter uma reserva ou não vai fazer toda a diferença no momento em que as receitas de trabalho caírem, isto é, na aposentadoria.”


É fácil entender a importância de construir uma reserva financeira, olhando por esse lado, sem a construção de um patrimônio o quanto você receber determinará quanto poderá gastar. E cá entre nós, você já deve saber, que depender do Governo neste quesito não está com nada. Quem não se preocupou com o seu bem-estar durante toda a vida, por certo não estará preocupado no final, disse o Governo.


Comece A G O R A





Bom, por certo você não quer passar a fase da terceira idade trabalhando, muito menos perder todo seu padrão de vida nesta fase não é mesmo?


Se você ainda é jovem, está trabalhando, estudando, ótimo! É a melhor fase, comece a poupar hoje mesmo, o correto é que você estabeleça uma meta, poupar 1/3 ou 10% do que ganha, por exemplo, é uma boa! Para você jovem a maior dificuldade no começo é adquirir o hábito de guardar dinheiro, por isso digo: comece hoje. O ideal é que você nem conte com a parcela que vai poupar, guarde primeiro, gaste depois. ;)


Após ter adquirido esse hábito, a minha recomendação é que você procure um profissional especializado em Finanças Pessoais, que guiará você ao melhor investimento de acordo com seus objetivos. Lembre: profissional de finanças pessoais não é o gerente do seu banco.


Dicas finais...



Não esqueça também que a expectativa de vida vem aumentando em todo o mundo (conforme já disse no artigo anterior), isso quer dizer que você terá mais tempo para usufruir da sua aposentadoria e não deixe, em hipótese alguma, esse cuidado por conta do governo.


Hoje, já vemos que os governos (os porque não é só o nosso) têm imensa dificuldade em arcar com os gastos de aposentadoria, isso acontece devido a essa maior expectativa de vida, que nos leva à inversão da pirâmide etária, significa haver mais pessoas idosas do que jovens em uma nação e como são as pessoas jovens, em idade de trabalho que contribuem para o pagamento do benefício... já entendeu no que essa inversão implica né?


Implica que: haverá mais pessoas aposentadas (fora de idade de trabalho e não contribuinte) do que pessoas jovens (em idade de trabalho e contribuinte), logo faltará dinheiro mesmo, por motivo óbvio, a menor parcela não consegue pagar a maior.




Se você não está mais em idade de poupar “grandes coisas” e ainda não construiu seu patrimônio, a triste notícia é que, infelizmente, não há muito o que se fazer. Por isso sempre digo que Educação Financeira também deve ser aprendida desde o começo da vida.


Então a minha dica neste caso é: compartilhe isso com os mais jovens, pode ser filhos, sobrinhos, vizinhos, etc. Ajude eles a darem certo e não cometerem o mesmo erro! ;)


Por fim, se você quiser um maior detalhamento sobre este tema, recomendo fortemente a leitura deste artigo do Fernando Nogueira que trabalha no Instituto de Economia da Unicamp: clique aqui onde é apresentado os ciclos da nossa vida financeira por faixas de idade, achei bem legal!


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Até a próxima!